Por que se queimava o cabelo cortado e a barba que coça

Por que se queimava o cabelo cortado e a barba que coça

Por que queimavam o cabelo cortado em vez de jogá-lo fora?

Queimava-se o cabelo cortado porque se acreditava que ele continuava ligado ao dono: quem pegasse as mechas podia fazer mal à pessoa de quem saíram, e uma mecha destruída não servia a ninguém. James Frazer, em O ramo de ouro, descreve como quase universal a crença de que dá para enfeitiçar alguém com os restos de seu cabelo ou de suas unhas e a coloca na magia por contágio, em que o que esteve em contato continua em contato. Os exemplos dele variam. Nos Vosges Superiores, cabelo e unhas eram queimados em vez de largados por aí, as italianas queimavam os fios soltos ou jogavam onde ninguém fosse olhar, e no Tirol uns queimavam o cabelo para que as bruxas não o usassem para levantar tempestades, enquanto outros o enterravam. Havia um segundo medo: se um pássaro levasse um fio para o ninho, o dono ficaria com dor de cabeça. O fogo não era a única resposta. Na Suábia, aconselhava-se esconder as aparas onde não alcançassem nem o sol nem a lua, e em Drumconrath, na Irlanda, algumas velhas enfiavam o cabelo no teto de palha para poder contar cada fio no dia do Juízo. O próprio Frazer aponta a falha do raciocínio: destruir o cabelo só faz sentido enquanto o elo existir, mas, se o elo existe, queimá-lo deveria machucar o dono.

Vento, pássaros e rio: o que os etnógrafos registraram

A etnografia ucraniana registrou os mesmos medos com detalhes locais. Halyna Bondarenko, do Instituto Rylsky de Estudos da Arte, Folclore e Etnologia, escreve que o cabelo caído não se jogava na rua, para que o vento não o espalhasse e a cabeça não doesse. Ela acrescenta que não se emprestava o pente, por medo de feitiço, e que o cabelo servia muitas vezes como meio de influência mágica. O artigo da Wikipédia ucraniana sobre o cabelo na mitologia se apoia em Yastrebov, Sumtsov, Frazer e na Pequena Enciclopédia Ucraniana, e diz que se aconselhava queimar o cabelo cortado ou jogá-lo num rio, e que, se um pássaro o levasse ao ninho, o dono ficaria com dor de cabeça. Os hutsules contavam algo parecido sobre camundongos. Na região de Zvenyhorod, o cabelo cortado era mandado rio abaixo e às vezes assado num pão que uma criança partia e jogava na água. O cabelo também marcava as etapas da vida: o primeiro cabelo da criança era cortado por volta de um ano, o que a introduzia na família e na comunidade, e o menino era cortado "pelo sexo" e posto em cima de um cavalo. Antes do casamento a trança da noiva era desfeita, e depois se acreditava que a força de seu cabelo passava à família do marido; nos Cárpatos e no Polésia da Volínia a trança era cortada depois da festa. O corte era um rito, portanto, e as mechas faziam parte dele. Tudo isso foi registrado como crença e vale ler assim.

Se a barba coça, veja a pele antes de ler o presságio

Agora, a barba. A crença sobre a barba que coça vive em listas populares de presságios, e as descrições etnográficas das crenças ucranianas sobre o cabelo que lemos não registram nenhuma, então não há regra antiga para citar. As listas populares costumam não nomear nem o coletor nem a aldeia. A coceira em si tem causas comuns. A Academia Americana de Dermatologia diz que, sem hidratante, a pele sob a barba pode ficar seca, descamar e coçar, e no nosso artigo "Por que a barba coça ou dói e o que fazer a respeito" passamos pelas outras causas e por quando procurar um médico. Da cadeira, o velho medo do cabelo cortado tem um equivalente moderno simples: fios curtos grudam no pescoço úmido e entram pela gola, por isso os barbeiros passam a escova na nuca antes de o cliente se levantar. Outra crença sobre o corte, a de que cortar faz o cabelo crescer mais rápido, é respondida em "O cabelo cresce mais rápido depois do corte? Mitos que o barbeiro ouve na cadeira". Queimar, enterrar ou varrer é questão de hábito de família, porque tudo o que foi dito registra apenas uma crença. Na 044 Barbershop, em Kyiv, a barba é feita com modelagem e barbear a seco ou com toalha quente, e o contorno fica com uma borda limpa. Se a barba cresceu tanto que já incomoda, venha fazer a modelagem da barba: o barbeiro pode alinhar as bochechas e o pescoço enquanto você fica sentado tranquilo.